Papo Cabeça

Ocorreu na tarde de 29 de Setembro, no Clube Juvenil em Caxias do Sul, o evento Papo Cabeça #1 com o tema “Cidadania: O papel de cada um de nós”.

Voltado para jovens das escolas de ensino médio, o Papo Cabeça #1 contou a participação do Cientista Político Marcos Quadros, o advogado Patrick Mezzomo e do presidente do ROTARACT de Ana Rech Matheus Bidese.

Os três apresentaram conceitos e responderam perguntas relacionadas à temática para os estudantes.

O encontro foi encerrado com um coquetel oferecido pela Project Play Eventos, realizadora do projeto e ao som da banda Vibe Rock.

Ouça nossa cobertura de áudio

Cristiano Lemos

Anúncios

Histórias de um homem a caminho do hexa

O dia em que Felipão levou um soco de um amigo e a promessa que ele deverá cumprir se conquistar mais uma Copa do Mundo

MANOELA PRUSCH*

Se tudo der certo, Luiz Felipe Scolari já tem compromisso na Serra Gaúcha para depois da Copa do Mundo. Terá de pagar uma promessa a Nossa Senhora de Caravaggio, ao lado de um amigo. Com outro companheiro, certamente irá confraternizar – mesmo tendo recebido dele um soco na nuca, algumas décadas atrás. São histórias reveladas por dois ex-colegas de Caxias do Sul que fazem uma torcida especial pelo treinador.

“O Felipão, com todo sucesso financeiro e profissional, continua sendo a mesma pessoa”, garante o ex-goleiro do Caxias Cezar Bagatini, 62 anos. Ele diz que o hoje técnico da Seleção Brasileira, mesmo após se tornar mundialmente famoso, ainda conserva a personalidade da época em que jogava no Caxias com Bagatini, na década de 70.

Os dois se conheceram em 1973 e até hoje mantêm uma relação de companheirismo. “Toda vez que ele vem pra cá, a gente entra em contato, passa o dia juntos. A nossa amizade já dura 40 anos”, conta.

A aproximação de Bagatini e Felipão se deu por um ponto em comum: os dois eram os únicos jogadores do Caxias, na época, que estudavam. Bagatini, Engenharia; Felipão, Educação Física. “Ele tinha didática, já estava lecionando no Cristóvão de Mendoza, exercia liderança sobre o grupo”, lembra o ex-goleiro.

Tanta era a confiança em Felipão e Bagatini, os únicos estudantes, que os colegas de time deixavam que os dois cuidassem de seu dinheiro. “A gente abria uma conta e administrava o dinheiro deles, para eles terem uma poupança e poderem usufruir nas férias”, relembra. Para Bagatini, a imagem de pão-duro associada a Felipão talvez remonte a esse período, quando ele controlava os companheiros para que não gastassem suas economias durante o ano.

Dos tempos de Caxias, são muitas memórias. A mais marcante, talvez, seja de um dia de jogo. “Nós estávamos jogando contra o Botafogo de São Paulo, e o Fischer, centroavante do Botafogo, cruzou a bola na área. O Felipão, que sempre foi um homem corajoso, decidido, subiu na bola no cruzamento. Eu tentei subir também, mas cheguei atrasado e, quando soquei, peguei na nuca dele. Nós dois colocamos a bola na arquibancada do estádio. Quando ele caiu, falou ‘tá bom, gringo’, e o Fischer disse ‘não venho mais aqui’”, lembra Bagatini.

Bagatini relembra que as brincadeiras entre os jogadores também eram comuns fora do estádio. “Uma vez eu estava dormindo e colocaram um pedaço de jornal no meu pé e botaram fogo! Eu comecei a sonhar que estava pisando em brasa, aí joguei tudo pro ar. Quando acordei, fui ao banheiro olhar o que tinha acontecido, aí foi uma gargalhada só.”

Bagatini e a imagem de Caravaggio, santa da devoção dele e de Felipão
Bagatini e a imagem de Caravaggio, santa da devoção dele e de Felipão

Outro ponto compartilhado por Bagatini e Felipão é a devoção ao catolicismo. “Desde a época em que estávamos concentrados no estádio Centenário, os únicos jogadores liberados pra ir à missa éramos nós dois. A gente acredita e tem fé”, afirma. No mês passado, antes do início da Copa, Bagatini levou sua crença até Caravaggio, em uma missa organizada em homenagem a Felipão. “A gente reza por ele, para que faça um bom trabalho. E a gente sabe que, quando se acredita em um ser superior, a positividade do nosso pensamento é bem maior. Isso ajuda muito”, aposta.

Além da fé, Bagatini acredita no potencial do técnico da Seleção para levar o Brasil ao hexa. “Ele é de um caráter inigualável, cativa os jogadores. Porque, para liderar um grupo de estrelas, o pessoal tem que confiar em ti. Sem confiança, tu não consegues um trabalho de equipe. Não adianta ter estrelas individuais, tem que fazer com que todos pensem no objetivo final, e ele tem conseguido”, analisa.

O atual médico do Caxias, Aloir de Oliveira (na foto principal, em seu consultório, ao lado do treinador), atuante no clube desde a época em que Bagatini e Felipão jogavam, compartilha da opinião do ex-goleiro. Sua fé em Felipão é tanta que ele e o técnico fizeram uma espécie de promessa, que cumprirão caso o Brasil ganhe a Copa.

“Ele esteve aqui em casa antes de ir e me trouxe uma camiseta assinada pelos jogadores, e aí combinou comigo que no fim vai trazer outra, com a assinatura de todos, já campeão. Aí fizemos um pacto, eu e ele, para depois da Copa botarmos as camisetas e irmos até Caravaggio para agradecer a Nossa Senhora de Caravaggio”, conta Aloir.

Amigos de Caxias organizaram missa em homenagem ao treinador
Amigos de Caxias organizaram missa em homenagem ao treinador

O contato de Aloir com Felipão é tão próximo quanto o de Bagatini. Segundo ele, remonta à época em que, na concentração dos jogadores, eles organizavam uma roda de samba. “Depois disso a amizade se solidificou. Fui homenageado como Cidadão Caxiense e ele veio especificamente para minha homenagem, ficou na minha festa até madrugada”, relata.

Quanto à fama de sovina do amigo, Aloir rebate: “Ele nunca deixava de pagar e nunca pediu para pagarmos as passagens dele para cá, vinha na amizade”. Por vezes, segundo ele, Felipão até se oferecia para pagar a janta, mas agora, sendo mundialmente conhecido, o dono do restaurante frequentado por eles nem queria cobrar pela refeição.

* Especial para Agência Experimental de Comunicação da FAL

Jornalismo + Publicidade & Propaganda + Relações Públicas